segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Certa vez eu tive um GORDO ou deveria dizer ele certa vez me teve.


                                                             Foto Arquivo Pessoal 2013

Certa vez eu tive um GORDO ou deveria dizer ele certa vez me teve.

Lembro-me de um homem lindo que conheci que quase vomitava só com a ideia de dar uma chupadinha no seu melhor amigo. A pessoa não é o sexo da pessoa com a qual se deita. A pessoa simplesmente é. E quem vai olhar diferente se eu disser que, nestes dias de promiscuidades em que o mundo parece estar mergulhado, o teu sorriso, as tuas palavras e a sua gordura são as coisas mais bonitas que eu já recebi?
Nunca me envergonhei  de dizer que amei muito. Porque a vida é breve, sim. Porque sei que não serei o primeiro homem, então prefiro ser o único. O único que...
 - E eu sou a minha história. Dentro dela, outras. E se não escrever com autoconsciência, minhas palavras não vão me servir, não terei lugar nessa história nem na existência.
E se é o pau que faz história, eu também tenho o meu. Sacanagem, saca?
E se o pau é uma coisa em si e a outra entidade (que eu e todos os homens temos e que até bem pouco tempo - e ainda acontece nos dias atuais - não se olhava não se tocava não se nomeava que devia ser conservado tão impoluto que quase deixava de ser nosso) é uma entidade de si, a masturbação é, então, uma coisa para si.
E se nem toda masturbação termina em orgasmo, fica interessante o pensamento de que vivo comigo mesmo um casamento clássico. Mas não quero luxo nem lixo.
No fim dessa conta, é gostoso transar com meu corpo numa boa.

E certa vez eu tive meu primeiro beijo com um moço, coroa mais velho, delicioso ou deveria dizer que ele certa vez teve o primeiro beijo comigo. Foi quando estávamos na poltrona daquele velho fusca amarelo...Que saudade do Ivo e em meio de uma conversa ele me  chama pra contar qualquer coisa no ouvido. Ivo jogou o corpo para frente para que pudéssemos nos aproximar. E ele me disse “eu vou beijar você” e recuou lentamente a cabeça para trás, rosto colado ao meu, deslizando a boca do pé do meu ouvido até a minha boca. E tudo em mim parou. Acho que mil expressões passaram por mim. Segundos em que o mundo parou para que eu sentisse aquela língua na minha boca. Tive vontade de abraçá-lo. E o restante da noite se passou sem eu sequer imaginar o que acontecia lá fora naquela chuva que caía forte. Eu só fazia “é”, “hum rum”. Eu havia tido meu primeiro beijo com um gordo delicioso e achei que nunca mais conseguiria sair daquele torpor. E me sentia tanto tesão por ele,meu Deus.. Quase um criminoso por tê-lo beijado de volta. Mas ele se tornou tão adolescente quanto eu. Duas noites após aquela, eu não suportei. Inventei uma desculpa para as pessoas, peguei a mão dele e a levei para as escadas do banco que trabalhava. Parei logo no primeiro andar e eu o beijei. Com um desejo infinito de vencer todos os sentidos.
Ainda tenho dentro de um livro um cacho dos cabelos dourados dele.
É. Hum rum.
E tem noites em que sinto a vida sem pressa de acontecer.

 Ushuaia Dean,06 janeiro 2013

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